domingo, 30 de setembro de 2007

Mais de Jeffreys


Eu nem comentei com voces que to num quarto com vista pro mar, neh? Na beira da praia em Jeffreys. Sendo assim, dormi com as cortinas abertas e hoje acordei cedinho jah vendo as ondas. Caih umas 8 e pouco e peguei uma onda boa de cara. Guri novo, feliz, resolvi pegar uma outra menor que veio mais pro inside. Fui, fui e quando vih, jah tava quase em cima das pedras da beira. Tentei sair, mas a espuma era forte e lah fui eu quicando nas pedras, de bunda, de perna... Se nao tivesse de long, tinha feito um estrago na pele.

A onda aqui quebra bem perto da praia, e sempre tem uma galera nuns bancos olhando o surfe. Sendo assim, o negocio era levantar como se nada tivesse acontecido e tudo aquilo fizesse parte dos planos. Se fuder, mas com estilo e sem dar bandeira, em suma. Voltei pro pico, peguei mais umas duas e comecou a esvaziar o mar. O ponteiro do "tubarometro" comecou a subir. Se aparecesse um branco, nao ia ter muita presa pra escolher.

Aih eis que veio "a" onda. Com meu nome escrito nela. Bem, na verdade, com o nome de outro cara, que tava um pouco melhor posicionado e remou forte, mas eu sequei tanto que ele nao entrou. Sendo assim, sobrou pra mim e foi soh alegria. Ateh resolvi fazer como o Pele, parar por cima e sair do mar. Mas sair aqui eh meio complicado tambem, tem uma barreira de pedras antes da areia. E lah fui eu quicar mais um pouco.


De tarde entrou um vento que estragou o mar. Parecia ateh a Reserva nos seus piores dias. Ninguem na agua. Se a Mari Taboada tivesse aqui, ela diria algo como "ah, tem umas ondinhas" e entraria. Tava um lixo. Fui entao conhecer St. Francis e o famoso (nao me perguntem porque) farol de Cape St. Francis. Passei na praia pra ver o pico de Bruces Beauties, que ficou conhecido por causa do Endless Summer 1 (e acho que apareceu no 2 tambem), mas tambem tinha um vento infernal e as belezinhas do tio Bruce tavam uma porcaria.



Agora eh noite e Jeffreys parece cidade-fantasma. Ou os balnearios gauchos fora de temporada. Soh tem algumas almas nos restaurantes. Falando nisso, a Ana Hissa encheu meu saco falando que eu tinha que ir no mexicano daqui, que era o melhor mexicano do mundo. Fui lah - o nome do restaurante, vejam que criatividade, eh "The Mexican" - e eh muito bom mesmo. Comi ateh quase passar mal.

sábado, 29 de setembro de 2007

J-Bay!

E aih, meus amigos!

To em J-Bay. Cheguei umas duas da tarde em Port Elizabeth e aluguei um carro. Peguei as informacoes de como pegar a rodovia e 10 metros depois de sair do aeroporto, eu obviamente estava perdido. Mas dei um jeito, me achei e cheguei aqui antes das 4 da tarde.

Vou confessar que quando tava chegando perto e comecei a ver as plaquinhas de "Jeffresbaai", ateh me emocionei. Uma alegria meio juvenil, me lembrei de quando ia pra Garopaba pelas primeiras vezes, lah pelo comeco dos anos 90. Quando entrei na cidadezinha - que ateh lembra Garopaba, alias -, peguei logo uma ruela rumo ao mar, larguei o carro de qualquer jeito e fui ver a onda. Que beleza.

Marzinho de um metro, algumas maiores. Achei minha pousada - irada, alias -, deixei minhas coisas, meti o long-john e fui pra agua. Peguei duas ondas, tomei outras duas grandes na cabeca, passei um friozinho e fiquei um pouco encucado nos intervalos das series, cuidando se nenhuma barbatana aparecia por perto.

Agora jah comprei umas cervejas, bolachas e chocolates no supermercado aqui do lado e estou pronto para os proximos dias. Inteh!

sexta-feira, 28 de setembro de 2007

Dobrando o Cabo da Boa Esperanca


E aih, povo!

Hoje rolou passeio ateh o Cabo da Boa Esperanca. Ali, onde o vento faz a curva - e bota vento nisso. Ventorreia absurda.


Depois do dia do cacador, hoje foi dia da caca. Dia de ver focas, pinguins e umas baleias. Babuinos e avestruzes tambem. Nao to com muita paciencia e tempo pra escrever, entao vou deixar voces com umas fotinhos. E lambam os beicos! Botei umas fotos tambem no orkut.

Amanha embarco pra Port Elizabeth, pego um carro e de tarde to em Jeffreys!


quinta-feira, 27 de setembro de 2007

Sobrevivi



E aih, povo! To vivo!

Hoje acordei cedo e fui mergulhar com tubaroes brancos. E olha que eu nem tenho instinto suicida. Depois de duas horas de van, chegamos - eu e mais alguns destemidos - em Kleinsbaai, de onde saem os barcos de encontro a esses submarinos-com-dentes-afiados. Muito vento, mar agitado e lah vamos nos. Em alto-mar, o barco para e um dos tripulantes comeca a jogar sangue e tripas de peixes na agua para atrair os bichanos. Nem precisamos esperar muito e passa um tubarao branco embaixo do barco. A adrenalina sobe e outro tripulante grita: "Preciso de cinco mergulhadores para entrar na jaula!".

Nesse momento, tomado de generosidade e cautela (sim, nada de covardia, era cautela!), me alistei voluntariamente para o segundo grupo. Se os primeiros cinco voltassem inteiros para
o barco, eu entraria na jaula e mergulharia com os tubaroes. Foi o trato que fiz com minha consciencia. Amigos, um dos tripulantes amarra um pedaco grande de peixe morto numa corda e fica atraindo os tubaroes para perto da jaula. Sensacional, ainda mais estando no deck do barco, seco e salvo.

Cerca de 30 minutos, eh hora da segunda leva. Minha consciencia pergunta "Renato, voce eh um homem ou um rato??". Naquela hora eu me sentia mais uma foca, ou um McNugget humano. Mas quem tah na chuva eh para se encharcar, e entrei na jaula. O mar agitava a jaula, que batia no barco. E lah vem o grito do tripulante: "Tubarao, a esquerda! Mergulhem!". Boto a cabeca dentro da agua e vejo um bicho de uns 3 metros de comprimento passar a centimetros de mim. Inacreditavel. Para completar, o tripulante ainda puxa a isca em direcao a jaula, trazendo os tubaroes cada vez mais na nossa direcao. Adrenalina lah no alto. Muito melhor do que todos os programas de tubarao que ja vi - e olha que eu jah vi muitos, hein.

Depois de umas duas horas em alto-mar, voltamos todos salvos - e alguns bem enjoados - para Kleinsbaai. Em terra firme, cafeh, suco de laranja e varios quitutes para coroar um dia inesquecivel. E amanha tem passeio ateh o Cabo da Boa Esperanca. Ateh mais!

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

Tumtumtumtumtumtum!


Eh amanha! To em Cape Town e amanha jah tah marcado o passeio para mergulhar com tubaroes brancos. Se esse blog nao for mais atualizado, adeus! Foi um prazer.


Hoje cheguei na Africa de manha, depois de um voo longo pra cacete, e agora a tarde fui na Table Mountain. Tirei umas fotinhos para os amigos. Antes, um medico veio aqui na pousada dar uma olhada no meu peh, que tah com uma alergia fenomenal. Eh o mesmo que torci. Acho que vou mandar benzer.


Bom, o cara acha que nao eh infeccao e me passou remedios e pomadas. Vamos ver se melhora. Ateh!

terça-feira, 25 de setembro de 2007

Calor e bolhas em KL


E aih, galera!

To morto. Andei como um condenado pra lah e pra cah hoje aqui em Kuala Lumpur, sobre um calor infernal e abafado. To com os pehs cheios de bolhas - se ganhasse 5 dolares por cada uma delas, podia terminar o resto da viagem me hospedando na suite presidencial do Regency.

Visitei as Petronas Towers, dois arranha-ceus com 452 metros de altura. Pra ser sincero com voces, nao eh nada demais a vista da skybridge, a ponte que liga os dois predios. Achei bem mais ou menos. Sou mais a vista do Morro da TV, lah em Porto Alegre.

Enfim, com tempo de sobra, resolvi caminhar ateh um templo hindu, o Sri Mahamariamman. Peguei a rua errada, andei pra lah, pra cah, ateh que achei. A essa altura eu jah quase nao sentia minhas pernas. Andava soh em marcha lenta e movido pela inercia.

Do templo, toquei pro shopping que tem do lado das Petronas, para comprar uns presentinhos que faltavam. Lah me esbaldei com duas das grandes invencoes da humanidade: o ar-condicionado e a escada rolante. Matei um tempo lah e daqui a pouco vou andar de monorail de novo pra pegar o trem pro aeroporto.



Ah, para terminar: ou tem algum golpe aqui na Malasia sobre comprar tenis ou os caras sao loucos por Reef. Explico. Comprei um tenis da Reef no ultimo dia em Kuta e vim com eles pra cah. To andando na rua hoje e uma mulher grita: "Your shoes, your shoes, I buy". Tomei um susto e disse nao, claro. Que ideia. Ando mais umas duas quadras e vem um senhor com o mesmo papo. "Quero comprar seus tenis!".


Resolvi descartar o cara chutando um preco alto.

"Tah bom, 200 dolares".

"Fechado!", disse ele, colocando a mao no bolso. Como assim!

Disse que nao dava, que acho que nao rolaria eu andar descalco o resto do dia em Kuala Lumpur e embarcar assim, com os pehs cheios de berebas, pra Africa. Se alguem jah tiver sido enganado nesse golpe ou souber se os caras sao malucos e cheios da grana mesmo, me avise.

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

Kuala Lumpur


Falamos ao vivo de Kuala Lumpur, diria Galvao Bueno. Que calor dos infernos, putaqueospariu. Amigos, cheguei hoje a tarde, peguei um trem expresso do aeroporto ateh a KL Sentral Station, uma Central do Brasil do seculo 25, digamos assim. Ponto alto da viagem no trem - todo de primeiro mundo, estofadinho, com ar-condicionado - foi quando tirei o tenis e a meia e deixei minha micose (sim, peguei uma alergia medonha no peh direito) respirar. Causei um horror na civilizacao islamica/oriental.

Da Sentral Station caminhei um pouco para viver uma grande emocao: andar de monotrilho. "Ah, o monorail...", jah diria Homer Simpson. E vejam soh que coisa. Fiquei 18 dias em Bali surfando e pegando praia na regiao do Bukit e bebendo a cerveja Bintang. Em qual estacao desco aqui no monorail pra chegar na pousada? Estacao Bukit Bintang. Maravilha.

Deixei a mochila aqui na pousada e fui rapidinho num shopping aqui perto comprar uma digital. Fechei o negocio, morri em mais uns bons dolares no cartao, e fui na praca de alimentacao comer. Achei um prato com arroz e frutos do mar por 7,50 ringgits, algo como quatro reais. Tah bom, neh? Veio o prato e nele tinha mais bicho marinho que eu jamais verei em algum mergulho na Grande Barreira de Corais. Matei os camaroes, comi os pedacos de peixe e um tentaculo digno de um polvo de filme B, mas ignorei uns mariscos estranhos e um negocio que parecia uma anemona. Se bobear, ateh vivo o bicho ainda tava.

Vou agora num pub irlandes que tem aqui ao lado molhar a garganta. Amanha cedo vou chegar nas Petronas Towers, que sao aqui pertinho. Na foto ao lado, dah pra ver um pedaco da KL Tower - outro arranha-ceu dos infernos - e os trilhos do monorail. Inteh!

domingo, 23 de setembro de 2007

Ateh 2008

Depois de 24 dias, quatro terremotos, alguns alertas de tsunami e uma torcao feia no peh, estou deixando a Indonesia. Praias lindas, clima otimo, comida boa e barata e povo tranquilo - apesar dos vendedores muito chatos de Kuta...

O pitoresco eh observar como a populacao local convive com seus costumes e com a invasao ocidental ao mesmo. Tem templo do lado de loja e boate, tem a mulher do cybercafe colocando oferenda para os deuses, tem de tudo. Uma imagem que poderia definir bem esse caldeirao cultural: um dia vi um molequinho andando na rua de sarongue e camisa preta dos Ramones.

Voltando a falar de comida boa e barata, nos ultimos dias descobri o spaghetti seafood da pousada Ayu Guna, em Padang Padang. Um macarrao com um molho maravilhoso e pedacos generosos de peixe e camarao por 16 mil rupias - algo como uns tres reais. E ontem, com as rupias evaporando da minha carteira a medida que eu comprava lembrancas pra casa, encarei uma carrocinha que vende comida na rua. Paguei cinco mil rupias (um real) num fried noodles - um miojo frito e apimentado com vegetais e uma mini-omelete por cima. Tampou o rombo no meu estomago e, ateh agora, nao causou efeito colateral.

Aprendi muito pouco do idioma local - na verdade, soh as basicas palavras do turista que quer parecer simpatico -, jah que eles colocam a letra K nas palavras com o mesmo impeto com que colocam pimenta e curry na comida. Sobrevivi com "terima kasih" (obrigado), "tidak"( nao), "pakabhan" (como vai?) e "bagus" (muito bom/bem). Descobri algumas outras para ler algumas placas/sinais de transito e acho que foi isso. Mas tudo bem, ano que vem, se tudo der certo, estarei de volta para ampliar meu vocabulario e comer mais um pouco do spaghetti acima citado.

Viajo hoje para Kuala Lumpur, passo uma noite lah e depois tem mais uns dias na Africa do Sul. Prometo (e agora vou cumprir!) trazer algumas impressoes desses proximos destinos. Ateh!

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

Feriado farroupilha


Buenas, galera!

Feriado de 20 de setembro, aproveitei o dia para, adivinhem, ir pra praia. Ainda dei um trato no cabelo, cortando num salao aqui perto do hotel. Mas isso soh depois do meio-dia, porque acordei numa ressaca federal. Noite foi forte ontem. Foi tao forte que levei minha camera digital e cheguei no hotel umas 4 da madruga sem ela. Nao tenho a menor ideia de onde ela foi parar. E o pior eh que ontem eu tinha feito fotos inusitadas, bizarras e sensacionais. Fueda, vou ter que comprar outra camera na Malasia e perdi algumas boas fotos aqui de Bali, mas paciencia.

Perde dum lado, ganha do outro. A clinica em que fui ver o peh aqui me ligou avisando que o meu seguro autorizou o pagamento da consulta com o "especialista" em ortopedia deles, que tinha custado a bagatela de 1,8 milhao de rupias, ou uns 180 dolares. Hoje a tarde fui lah pra pegar o boleto do cartao de credito que eu tinha deixado como deposito de garantia ateh a pendenga se resolver.

Amanha de manha vou pra Nusa Lembongan conferir mais uma ilha. E acho que vou tentar surfar. Seja o que Deus quiser com o peh. Sem mais para o momento, deixo voces com o Hino Farroupilha para celebrar a data. Todo mundo cantando junto!

"Sob a aurora protetora do farol da divindade
Foi o 20 de setembro o precursor da liberdade
Mostremos valor, constancia
Nesta impia e injusta guerra
Sirvam nossas facanhas de modelo a toda Terra

Mas nao basta pra ser livre
Ser forte, aguerrido e bravo
Povo que nao tem virtude
Acaba por ser escravo"

PS: deixo voces com uma foto de arquivo, os ouricos de Lakey Peak esperando os pes desavisados

terça-feira, 18 de setembro de 2007

Nusa Dua e Padang


E aih, fricandoles!

Como prometido, tirei mais um dia de turista hoje e fui conhecer a praia de Nusa Dua, no sudeste de Bali. Essa eh a praia chique daqui, digamos assim. Onde estao todos os hoteis das grandes cadeias de resorts, aqueles em que uma diaria custa quase o PIB da Etiopia. Jah deu para reparar a diferenca na chegada perto da praia. Tem um portao de entrada com um "security check". O carro eh parado e um guardinha dah uma olhada por alto e pergunta onde voce estah indo.

As ruas sao arborizadas, limpinhas, com fontes e chafarizes. Me lembrou ateh o reino de Far Far Away do "Shrek". Hollywood, resumindo. Acho que jogar um papel no chao ali deve dar uns 15 anos de cadeia. As praias, vou dizer para voces, sao bem bacanas. Conheci tres - uma grudada na outra. Aguas cristalinas, quentinhas e calminhas. Areias quase vazias. E um calcadao interligando as praias.

Dica: nao deixe de conhecer o Water Blow. Eh soh seguir o calcadao, entrar um parque que tem umas esculturas de uns elefantes brancos em poses de alegria e ateh certo ponto deboche e nao tem erro. De longe voce vai ver as ondas espirrando muito alto e, mais, vai ouvir o barulho. Eh impressionante, o chao chega a tremer (tudo bem, isso nao eh muita novidade aqui na Indonesia, neh) com a forca das ondas. Chegando perto, a impressao eh que a qualquer momento um vagalhao daqueles vai te engolir. Dah um friozinho na barriga, mas num esforco de reportagem cheguei perto e fiz uma foto para voces.


Eu sei que depois eu tinha prometido para voces e para mim mesmo que ia conhecer a baia de Jimbaran, famosa pelos seus restaurantes de fruto do mar. Mas que diabos, estou de ferias. Fui almocar no restaurante peh-sujo perto de Padang Padang e depois peguei praia ali mesmo. Tenho certeza que voces me perdoarao.



Como o mundo eh um ovo mesmo, achei na areia o camarada colorado que eu tinha conhecido umas semanas atras, conheci um carioca que fez aquele documentario Indo.doc, da galera da Lanho, e uma belga que jah conhecia um outro camarada paulista que conheci em Lombok. Praia ateh o fim de tarde, com cervejinha rolando. Parecia ateh Posto 9.

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

Soh na farofa


E aih, povo!

Hoje foi dia de farofar na praia em Padang Padang e depois ceder aos instintos consumistas no outlet de uma surf shop. Me dei bem. Paguei 35 dolares num tenis da Reef, 23 dolares numa bermuda da quiksilver e 22 dolares numa mochila da Volcom. Comparando com Brasil... Dah ateh vontade de comprar um container e sair revendendo aih.


No fim de tarde o peh parecia bem melhor, mas sem surfe amanha tambem. Vamos avaliando aos poucos. Hoje tinha altas ondas em Padang Padang. Tomem uma fotinho aih soh pra dar agua na boca. E ateh!

domingo, 16 de setembro de 2007

Not an option (ou "Busque uma terceira opiniao")


E aih, pessoas! Alguem ainda entra aqui? To de volta a Bali apos seis dias em Lakey Peak, na ilha de Sumbawa. O domingao foi de fortes emocoes. Segurem-se aih na poltrona, porque o post vai ser grande.

Bom, deixa eu falar rapidinho de Lakey Peak. Sensacional o lugar, sensacional a onda. Depois de uma hora de voo de Bali e mais duas horas de taxi, desviando de cabras e macacos pela estradinha, cheguei no hotel Aman Gati, que eh na cara do gol. Sao uns dez passos na areia, mais uns dez minutos remando num mar cristalino, sobre corais, e pronto. Esquerdas e direitas quebrando perfeitas, eh soh escolher (foto 1). E o hotel? Comida boa pra cacete e muito barata. O prato mais caro - um lagostim, lula e um fileh de peixe, com batatas - saia por 35 mil rupias, algo tipo 8 reais. Pra completar, um por-do-sol matador todos os dias (foto 2). Soh o que estragava um pouco era um gaucho surfando de camisa do gremio em Lakey Peak, mas fazer o que...


Depois de uma quarta-feira paradisiaca, comecei a pensar que voces poderiam ficar cansados de ler sobre praia, ondas e comida. Resolvi entao mostrar para voces outro lado de Bali. "Como serah o atendimento medico aqui", divaguei. Entao, na quinta "deliberadamente" torci o meu peh direito ao pisar num buraco. Nao vou nem comentar aqui o que foi a dor na hora... Passei sexta e sabado de molho, pegando sol na piscina ou vendo filme no quarto. Peh pro alto e gelo. Uma surfista australiana que chegou na sexta deu uma enfaixada meia-boca no meu peh com silver tape e um outro australiano me deu uns anti-inflamatorios. Li o "Cacador de Pipas" em ingles em apenas dez horas. Recorde mundial. Entrei em contato com o plano de saude que contratei e falaram para eu ir na Bali International Medical Center, a melhor clinica de Bali segundo informacoes que colhi. Pedi na recepcao do hotel e troquei meu voo de volta de segunda pra domingo.

Hoje acordei cedo, peguei o taxi com uma mae e seu filho australianos e fomos pro aeroporto em Bima, na ilha de Sumbawa. Chego no unico balcao de check-in, entrego a passagem e digo que troquei o dia por telefone e tal. "Not in list", diz o cara. "Hein?". "Nao tah na lista, seu nome nao tah na lista. Espere ao lado, por favor".

Era o que faltava. Tinham tres carinhas conversando em indonesio (indonesiano?) e falando um ingles parco comigo. Falei que nao embarcar era not an option. "Maifrend, tenho medico marcado em Bali e vou nesse aviao nem que seja sentado no corredor". Um dos agentes disse preu confiar e esperar sentado no hall. "Nao, nao, vou esperar aqui ao lado mesmo". Acho que incomodei tanto os caras que em 3 minutos eles fizeram um cartao de embarque pra mim. Na verdade, para o "Mr Benato Alexander". Julguei que era eu. Depois pensei que se o teco-teco caisse ninguem no Brasil ia nem ficar sabendo e eu seria enterrado como indigente por aqui, mas era o preco a pagar.

O voo foi tranquilo, cheguei em Bali e o carinha do carro, o Made, tava me esperando de novo. Ele me levou na clinica e ficou esperando no estacionamento. Entrei e jah tava tudo ajeitado, a tal Global Insurance tinha marcado uma consulta. Beleza, fui atendido pela plantonista, uma japinha. Mexeu no meu peh e me mandou pro raio-X. Do raio-X, nao fui pro consultorio dela. Me levaram pruma "emergency room". "Lah vem merda", pensei eu.

"Mister Renato, voce tem uma pequena fratura aqui. Vamos ter que engessar"
"Gesso is not an option"
"Mas eh um gesso leve, soh por uma semana, ateh voce voltar para o Brasil"
"Nao, nao...nao tem outra opcao? Posso ver o especialista em ortopedia?"

Entrou na sala um ingles, com um cracha do tipo "technical advisor", algo assim. Disse que o recomendado era mesmo o gesso, algo leve para nao piorar a fratura ateh eu viajar de volta. Ou eu poderia chamar o ortopedista-chefe. "Sim, chamem o cara, por favor". Foram ligar para o sujeito e me deixaram sozinho na salinha por uns 15 minutos. Tempo suficiente para pensar na vida, nos buracos do gramado do Aman Gati, em como eu faria para ficar uns dias engessado sozinho em Bali e quando conseguiria voltar pro Rio.

Chegou o ortopedista-chefe. Cara de balines. Jah foi perguntando "Voce costuma praticar muito esporte? Joga futebol, por exemplo?". Eu estava muito apavorado para fazer alguma brincadeira do tipo "sou craque nas 11" ou "faltam menos de cem para o meu gol mil". Respondi apenas que sim.

"Hmmm.. Porque pelo que estou vendo aqui, essa fratura pode ser algo antigo. Se voce tivese feito ela dois dias atras, voce nao estaria caminhando e com certeza sentiria muita dor no peh. Doi aqui? E aqui?"
"Nada, nada". Aproveitei e falei pra ele que eu tinha quebrado aquele mesmo peh ano passado.
"Ah, entao deve ser isso. Essa fraturinha deve ter ficado mal consolidada, nao pode ser de agora. Nada de gesso, nao se preocupe".

Nunca o cliche "as palavras dele soaram como musica" foi tao verdadeiro. Quase levitei na maca. Peguei mais anti-inflamatorios na farmacia da clinica e fui liberado com a condicao de nao correr pelas proximas semanas. Para ser sincero com voces, ainda estou literalmente com um peh atras. E se o cara estiver errado? Se algum ortopedista ler este post e quiser se manifestar, fique a vontade!

Bom, ao menos tenho caminhado com mais desenvoltura. Sem surfe nos proximos dias. E talvez eu corte um pedaco do pit-stop na Africa na volta, para chegar logo e consultar no Brasil. Vamos ver o que acontece nos proximos dias. Para comemorar, moderadamente, claro, caminhei ateh a praia de Legian e tirei essa fotinho do fim de tarde.